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Santiago de Compostela

Todos os caminhos levam a Santiago de Compostela e o seu começa na sua casa.

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O Caminho Francês é a mais tradicional das rotas que levam a Santiago. Para chegar ao ponto de partida tivemos que pousar em Pamplona, que faz parte das paradas e dali seguimos de taxi-van até Saint Jean. Isso leva quase 24 horas de viagem a partir de São Paulo. Dali em diante é só seguir as setas amarelas. Antes, basta passar no escritório do Caminho e pegar a credencial.

Seguir o caminho é muito simples. Levamos os guias fornecidos gratuitamente pelo Escritório Espanhol de turismo, mas acreditem, basta achar o portal de início e seguir as setas. Se você deixar de ver uma em 500 metros, pare e volte; deve ter errado. Os guias só serviram para saber em quais cidades iríamos passar a cada dia e planejar as paradas ou programar alguns lugares para visitar.

Para cada pessoa o Caminho é um. Filosofia barata a parte, dizer o que ver ou o que fazer é bobagem. O único conselho que se pode dar é: use todo o tempo que tiver para a viagem. Quantas mais paradas fizer, mais gente vai conhecer. O sistema de hospedagem é de albergues em instalações públicas ou privadas. Nos públicos você tem uma cozinha à sua disposição ou algum restaurante em frente que serve o menu peregrino. Nos privados há um restaurante para tirar de você uma graninha extra. Como todo mundo janta na mesma hora e as mesas são compartilhadas, cada dia é uma conversa diferente.

Numa cozinha, ao dividir o fogão com um cara que parecia um faquir, aprendi que um chá/sopa de alface faz muito bem. Não entendi muito bem a receita do inglês que preparou a iguaria, nem mesmo se era chá ou sopa, mas no outro dia o encontramos a 20 km do albergue às 10 da manhã. O cara caminhava rápido. Em outra oportunidade, bati um longo papo sobre petróleo, ecologia, Brasil e França com um ex-diretor da Total, petroleira francesa, que pegou o caminho dois dias depois de se aposentar. Num terceiro jantar memorável, nos divertimos muito com uma coreana de pé chato e cabeça avoada que levava 12 horas para fazer 20 km caminhando e, nos jantares,virava um vinho lascado como “sliping medicine”, como ela dizia. E nos últimos dois dias compartilhamos a estrada com o Guilhermo, um mexicano de origem alemã que fez o caminho a partir de Le Puy (1600 km) e caminhava com uma elegância sem igual. Detalhe, ele tinha na época 75 anos. Portanto, quantas mais paradas, mais papo, mais gente, mais tudo.

 

A rotina

Nosso tempo total era de 20 dias, com 18 para rodar pelo Caminho. Como nossa planilha era de 13 dias, a idéia era fazer uma parada de um dia a cada cinco dias pedalados e a sobra ficaria para Santiago ou Madrid. Tudo isso ficou só no plano.

Em primeiro lugar porque você não pode ficar no albergue com se fosse um turista normal. Se quiser fazer isso deve usar os hostals, pousadas espanholas. Todo dia, no mais tardar às 8hs, você deve estar na estrada. Nos albergues públicos eles até te expulsam da cama sem piedade. Mesmo que pare ao meio dia, você deve seguir. Depois, o caminho dita as regras e não você.

Em dias em que o plano era 60 km, fizemos 90 sem sentir e não paramos antes porque a região não era atraente. Isso acontece no meio da Espanha, onde a paisagem é árida, reta e meio sem graça. Por outro lado, depois de chegar ao Cebrero, um subidinha chata e interminável, achamos que íamos à forra no dia seguinte com a descida e só curtir o vento no rosto ao rodar mais de 100 km quase sem pedalar. Ficou só no plano também: foi o dia mais curto em termos de pedal – só 17 km. Baixou uma nuvem sobre a montanha com um frio tremendo que congelava tudo enquanto cortávamos o vento. Ou melhor, enquanto nos sentíamos cortados pelo vento frio.

Quando você está exposto à natureza, o melhor a fazer é aproveitar para esticar quando tudo dá certo e deixá-la decidir o dia de pedalar pouco. No fim, chegamos à Galícia com dois dias de reserva e resolvemos enrolar por ali fazendo trechos curtos e aproveitando mais a região. Isso porque, em Santiago, o valor gasto por dia triplica. Com isso ficamos apenas dois dias na cidade.

O melhor planejamento a fazer é programar 50 km por dia e 16 dias de pedal. Fazer uma lista de cidades interessantes e tentar finalizar o dia nesses locais no meio da tarde e aproveitar.

O Caminho

A rota ficou famosa para os brasileiros depois do livro do Paulo Coelho, mas sua história é muito maior do que a mística relatada no livro. Tudo começou quando pessoas diziam ver luzes e cantorias no topo de uma colina. Nessa colina estava o corpo do discípulo Tiago que foi recuperado por seus seguidores após sua execução pelos judeus e antes de ser devorado pelos leões. Ele havia seguido o pedido de Jesus e foi pregar o mais longe que conseguisse. Chegou a Finisterra e ali ficou até saber que os cristãos estavam sendo perseguidos pelos judeus na Terra Santa. Pra lá voltou para ajudar e acabou morto.

Seus seguidores resgataram seu corpo e rumaram novamente para Finisterra e lá criaram um santuário onde o guardavam. O tempo passou e os relatos de milagres vindo da luz sobre a colina se multiplicaram e a peregrinação começou. As igrejas forneciam abrigo em albergues e os soberanos do reino da Espanha foram aumentando a capela até chegar à Catedral de hoje.

São várias rotas que levam a Santiago de Compostela, mas a que assumiu essa vertente de turismo e tem a melhor infra-estrutura é o Caminho Francês que foi retomado com força a partir dos anos 80. Muitos o fazem pela fé, outros por turismo barato e alguns até por esporte. Seja qual for o intuito, ele vale pelo quanto de história tem e, muito mais, pelo quanto de gente diferente você verá pelo caminho. É o quanto você absorve da natureza ou vê de história somada aos amigos que faz por lá que vai fazer do seu Caminho algo único e só seu. Aproveite e Bon Camino!

Quando ir

Maio e Setembro são os meses preferidos dos brasileiros. A temperatura é amena e os preços de passagens para Europa razoáveis.

O que levar: Levar sua bike é sempre melhor. Ela esta ajustada ao seu corpo para viagens longas. No alforje leve o suficiente para 2 dias de roupas para pedalar e mais um kit para a noite e a viagem. Quanto menos melhor.

Apoio: Há uma rede de pousadas como apoio aos peregrinos ciclistas chamada Bicigrinos. Por ela você consegue agendar o traslado de Pamplona a Saint Jean, a única coisa que é preciso acertar a partir do Brasil para não ser explorado por lá. De resto é seguir a seta amarela

Credencial: Você pode fazer a credencial no primeiro albergue onde ficar. No entanto, pode faze-la aqui no Brasil pela associação de peregrinos.

Sites: http://www.santiago.org.br/credencial.asp

http://www.bicigrino.info/bikeline/

Perguntas e respostas de leitores