Quem somos

O site começou após uma viagem pelo Caminho de Santiago. Ao perceber o quanto o cicloturismo é grande na Europa e conhecendo o potencial do Brasil em lugares para se conhecer de bicicelta, Marcelo Rudini decidiu divulgar os pedais que havia feito e todos os que nos chegassem. O objetivo é ter aqui o mesmo volume de cicloturistas que na Europa. Mas para isso, seria também necessário ajudar novos ciclistas a viajarem de bike.

Sempre ouvindo os ciclistas, fomos além das reportagens sobre viagens e divulgação de circuitos de cicloturismo. O OP expandiu com um canal de vídeo e um fórum com perguntas e repostas para novos ciclistas resolverem os perrengues que aparecem pelo caminho. Em paralelo ao site, temos a loja do OP que financia toda a produção de vídeos e oferece somente produtos testados por nós. O OP é feito por ciclistas e para ciclistas.

Vídeos Tutoriais

Nosso canal no Youtube tem mais de 60 mil inscritos e conta com 300 vídeos. Aqui no site, os tutoriais estão separamos por categorias para que você possa encontrar melhor a dica que precisa.

Perguntas e Respostas

A seção de dúvidas foi criada para você poder pesquisar por temas já respondidos ou fazer sua pergunta que respondemos em um dia. Você também poderá responder perguntas e ajudar outros ciclistas.

Roteiros Catalogados

Além das reportagens de viagens que já fizemos, criamos um catálogo de passeios para que você possa pesquisar por lugares para pedalar. Assim fica mais fácil achar uma viagem ou um circuito para pedalar.

Loja Ondepedalar

Produtos para ciclistas

Em nossa loja selecionamos os produtos como ciclistas. Só vendemos aquilo que usamos e sempre tentamos trazer artigos de com preços variados, mas que mesmo baratos tenham seu custo-benefício adequado.

Visite a loja

loja ondepedalar

Viagens

Todos os caminhos levam a Santiago de Compostela e o seu começa na sua casa.

Domingo, dia das mães e acabo de chegar ao aeroporto de Guarulhos. Este ano negociei com a mama pra antecipar o dia dela, pois, sem saber ainda, ia fazer uma viagem que mudaria muita coisa na minha vida. Começo a incomodar todo mundo empurrando o carrinho de bagagem com minha bike atravessada. Sem saber já estou na rota de Santiago de Compostela e ainda faltam 16 horas de voo para começar a pedalar.

Meu caminho começou quando uma amiga ouviu o galo cantar em algum pedal de Curitiba que o Caminho era genial. Como eu era o único amigo que podia arrumar os 20 dias necessários para a viagem e dar o suporte em caso de pneu furado, fui escalado sem dó ou piedade pela Regina Thurler. Foram seis meses com ela treinando para Santiago e eu sem saber se conseguiria ir de verdade. Como freelancer não estava muito fácil arrumar a grana para uma viagem à Europa, mesmo para o Caminho que, com hospedagem em albergues, é uma das mais baratas. Fui enrolando.

Na virada do ano veio a intimação. Eu precisava decidir para que ela pudesse programar as férias. Eu não sabia, mas um terço da viagem já estava feita. Resolvi então me mexer e tracei uma estratégia. Propus uma matéria para uma revista de bike com o seguinte gancho: para um executivo de multinacional fazer Santiago sem se aposentar, somente de bike. Essa é a única maneira de fazer o Caminho Francês inteiro em apenas 20 dias de férias, incluindo os dias de voo.

A partir desse momento as coisas começaram a andar. Uma revista topou a idéia e a Ibéria me deu a passagem para ir fazer a matéria. Nesse momento senti o que muitos dizem: quando você decide fazer o caminho, ele começa a te puxar e a roda gira. Assim, quando embarcamos no voo para Madrid, metade do caminho já estava feito. Só faltava pedalar os 870 km entre Saint Jean Pied Port e Santiago de Compostela.

O Caminho Francês é a mais tradicional das rotas que levam a Santiago. Para chegar ao ponto de partida tivemos que pousar em Pamplona, que faz parte das paradas e dali seguimos de taxi-van até Saint Jean. Isso leva quase 24 horas de viagem a partir de São Paulo. Dali em diante é só seguir as setas amarelas. Antes, basta passar no escritório do Caminho e pegar a credencial.

Seguir o caminho é muito simples. Levamos os guias fornecidos gratuitamente pelo Escritório Espanhol de turismo, mas acreditem, basta achar o portal de início e seguir as setas. Se você deixar de ver uma em 500 metros, pare e volte; deve ter errado. Os guias só serviram para saber em quais cidades iríamos passar a cada dia e planejar as paradas ou programar alguns lugares para visitar.

Para cada pessoa o Caminho é um. Filosofia barata a parte, dizer o que ver ou o que fazer é bobagem. O único conselho que se pode dar é: use todo o tempo que tiver para a viagem. Quantas mais paradas fizer, mais gente vai conhecer. O sistema de hospedagem é de albergues em instalações públicas ou privadas. Nos públicos você tem uma cozinha à sua disposição ou algum restaurante em frente que serve o menu peregrino. Nos privados há um restaurante para tirar de você uma graninha extra. Como todo mundo janta na mesma hora e as mesas são compartilhadas, cada dia é uma conversa diferente.

Numa cozinha, ao dividir o fogão com um cara que parecia um faquir, aprendi que um chá/sopa de alface faz muito bem. Não entendi muito bem a receita do inglês que preparou a iguaria, nem mesmo se era chá ou sopa, mas no outro dia o encontramos a 20 km do albergue às 10 da manhã. O cara caminhava rápido. Em outra oportunidade, bati um longo papo sobre petróleo, ecologia, Brasil e França com um ex-diretor da Total, petroleira francesa, que pegou o caminho dois dias depois de se aposentar. Num terceiro jantar memorável, nos divertimos muito com uma coreana de pé chato e cabeça avoada que levava 12 horas para fazer 20 km caminhando e, nos jantares,virava um vinho lascado como “sliping medicine”, como ela dizia. E nos últimos dois dias compartilhamos a estrada com o Guilhermo, um mexicano de origem alemã que fez o caminho a partir de Le Puy (1600 km) e caminhava com uma elegância sem igual. Detalhe, ele tinha na época 75 anos. Portanto, quantas mais paradas, mais papo, mais gente, mais tudo.

Rua Enio Barbato, 361 - Bertioga SP

+13 33173874