Viagens · Trieste → Santa Maria di Leuca, Itália
Ciclovia Adriatica: de Trieste a Santa Maria di Leuca
Publicado em 15 de junho de 2024 · Redação Onde Pedalar

1.700 km de costa italiana, 7 regiões e 10 itinerários: a Ciclovia Adriatica é uma das grandes viagens de bicicleta da Europa, um fio que une o Adriático de Trieste à ponta do Salento. Um resumo trecho a trecho da cicloviagem e da quilometragem geral.
A Ciclovia Adriatica — a ciclovia do Adriático — não é apenas um itinerário cicloturístico: é uma viagem lenta ao longo de mais de 1.700 km de costa italiana, um fio que une sete regiões contando histórias de mar, aldeias, aromas e quietude. Concebida pela Bicitalia (percurso BI6), essa longa aventura segue ciclovias e estradas secundárias, privilegiando paisagens autênticas e trajetos que convidam a abrandar o ritmo.
São 1.700 km de percurso, 7 regiões, 10 itinerários e cerca de 3 semanas de viagem para quem quiser percorrê-la inteira. Tudo começa em Trieste, no extremo nordeste da Itália, e desce pelo litoral adriático até Santa Maria di Leuca, no Salento, onde o Adriático encontra o Jónico. Para detalhes completos, mapas das etapas diárias, percursos GPX e dicas de hospedagem, consulte o site oficial: cicloviaadriatica.eu.
02Os números da viagem
- 011.700 km de percurso total, de Trieste a Santa Maria di Leuca.
- 027 regiões italianas atravessadas: Friul-Veneza Júlia, Vêneto, Emília-Romanha, Marcas, Abruzos, Molise e Puglia.
- 0310 itinerários (CA 10 a CA 80) que dividem a rota em trechos temáticos.
- 04Cerca de 3 semanas de viagem para completar o percurso inteiro com calma.
- 05Percurso oficial Bicitalia BI6, por ciclovias e estradas secundárias de baixo tráfego.
03CA 10 — Via del Carso: Trieste e a fronteira oriental
Tudo começa em Trieste, cidade de vento, cafés históricos e fronteiras. Atravessa-se a cidade portuária por ciclovias e segue-se pela via verde Giordano Cottur, uma fita verde que sobe suavemente até à fronteira com a Eslovênia. Seguindo a FVG2 chega-se a Trebiciano, com a opção de um pequeno desvio para território esloveno, onde as estradas ficam silenciosas e os bosques mais densos.
De volta à Itália em direção a Monfalcone, a FVG2 acompanha o cicloviajante até Lignano Sabbiadoro, entre campos tranquilos e diques que deslizam junto aos rios. É o primeiro e precioso salto fora da rota — e a prova de que a Ciclovia Adriatica premia quem se permite desvios.
04CA 20 e CA 21 — Via della Laguna e Via delle Isole: a bifurcação de Jesolo
Ultrapassado o rio Tagliamento, o Adriático muda de rosto: entramos no Vêneto. As estradas planas levam até Caorle, entre canais, viveiros de peixe e campanários que se refletem na água. De Caorle chega-se a Jesolo quase sempre por ciclovias protegidas, e é ali que a viagem se bifurca.
De um lado, as ilhas de Lido e Pellestrina (CA 21 — Via delle Isole), acessíveis com três ferries e repletas do fascínio da água misturada com história. Do outro, a terra firme mais tranquila que conduz até Mestre e depois a Chioggia seguindo canais, diques e o lento pulsar da lagoa (CA 20 — Via della Laguna). Ao entrar no Delta do Pó, a paisagem abre-se: grandes silêncios, extensões de água e bandos de flamingos entre os vales vénetos.
05CA 30 — Via della Riviera: entre vales, pinhais e cidades marítimas
O último troço do Delta do Pó encontra o Bosco Mesola e entra-se na Emília-Romanha. A viagem ganha um ritmo suave, feito de pinhais, cheiro a resina e paisagens de água. As Valli di Comacchio surpreendem sempre: pedalar no Argine degli Angeli, rodeado de água, dá a sensação de flutuar.
Ravenna recebe-nos com a sua história milenar, alcançável por terra ou de ferry a partir de Porto Corsini. Depois parte-se para sul ao longo de uma linha costeira perfeita para bicicletas: Cervia, Cesenatico, Rimini e Riccione sucedem-se como um único e longo passeio marítimo, animado no verão e tranquilo fora de época.
06CA 40 — Via del Conero: panoramas altos e aldeias das Marcas
Em Cattolica atravessa-se o limiar das Marcas. A estrada sobe até ao Parco Naturale del Monte San Bartolo, onde o Adriático surge lá de cima, azul e profundo, e o vento traz perfume de giestas. Pesaro, cidade da bicicleta, abre as portas a um troço de costa suave e rico em vistas preciosos: Fano, Senigallia, Ancona.
Mais a sul, o Conero guarda Sirolo e Numana, pérolas brancas voltadas para um mar intenso. Recomenda-se seguir para o interior para chegar a Ancona por estradas tranquilas; depois a viagem volta a correr ao longo da costa até Grottammare e San Benedetto del Tronto, onde uma ponte sobre o rio Tronto, prevista para o verão de 2026, unirá as Marcas e os Abruzos numa única linha de rodas e vento.
07CA 50 — Via dei Trabocchi: a poesia da Via Verde
Nos Abruzos a ciclovia torna-se um abraço suave entre o mar e os pinhais. Alba Adriatica, Giulianova, Roseto degli Abruzzi atravessam-se como um único e longo passeio. Depois chega ela: a Via Verde della Costa dei Trabocchi, quarenta quilômetros suspensos entre o azul do mar e as antigas palafitas dos pescadores — um dos troços mais amados de Itália.
Ao entrar em Molise, a estrada afasta-se um pouco da costa para evitar a estrada nacional, mas depressa regressa: Termoli, com a sua vila fortificada sobre o mar, é uma surpreendente joia suspensa entre história e maresia.
08CA 60 e CA 61 — Via del Tavoliere e Via del Gargano: a bifurcação de Lesina
Entra-se na Puglia por Chieuti: a ciclovia avança em direção a Lesina, onde a viagem se divide em dois destinos possíveis. O Gargano, com as suas subidas e a sua beleza selvagem (CA 61 — Via del Gargano), ou o percurso oficial que desce diretamente até Margherita di Savoia (CA 60 — Via del Tavoliere).
A variante do Gargano oferece alguns dos troços mais intensos de todo o percurso: o Lago di Lesina e o de Varano, Rodi Garganico, Peschici, Vieste. Perfume de matagal mediterrânico e estradas que serpenteiam entre azul e branco.
09CA 70 — Via delle Saline: catedrais junto ao mar e aldeias de pedra clara
A segunda parte da Puglia é uma viagem entre cidades de pedra branca e águas transparentes. Barletta, Trani, Bisceglie, Molfetta, Giovinazzo: cada uma tem um porto, um centro histórico, uma história para contar. Chegar a Bari significa entrar numa teia de vielas, aromas e risos.
Depois parte-se de novo em direção a dois ícones absolutos: Polignano a Mare, com as suas falésias a pique sobre o mar, e Monopoli, feita de pequenos portos e muralhas junto à água.
10CA 80 — Via del Salento: onde o Adriático encontra o Jónico
O último troço é um crescendo de beleza. As vias marginais junto à SS16 permitem pedalar com tranquilidade enquanto a paisagem se torna cada vez mais mediterrânica: oliveiras, muros de pedra seca, casas brancas. Um desvio até Ostuni, a "cidade branca", é quase obrigatório.
Depois desce-se até Brindisi, entra-se no Salento e desvia-se novamente para chegar a Lecce, capital barroca. Quando finalmente se chega a Santa Maria di Leuca, onde o Adriático encontra o Jónico, sente-se como no final de um longo romance — um daqueles que nunca mais se esquecem.
11Como é fazer essa cicloviagem
Pedalar a Ciclovia Adriatica é, antes de tudo, uma viagem de ritmo. São 1.700 km que se fazem devagar, em cerca de três semanas, preferindo estradas secundárias e ciclovias ao tráfego das rodovias. O terreno é majoritariamente plano e costeiro, o que torna a rota acessível mesmo a cicloturistas iniciantes — com algumas subidas pontuais no Gargano, no Conero e no Monte San Bartolo.
Os alforjes impermeáveis são companheiros ideais: a brisa do mar traz humidade e, fora do verão, chuvas pontuais. A infraestrutura de hospedagem ao longo da costa é farta, com pousadas, agriturismos e campings a cada poucos quilômetros. O site oficial oferece ainda um Passaporte Adriático — inspirado no Caminho de Santiago, mas de bicicleta — com um carimbo por etapa e a possibilidade de reservar alojamentos convenzionados.
12Planejando sua Ciclovia Adriatica
- 01Escolha a época: primavera (abril a junho) e outono (setembro a outubro) têm clima ameno e menos turistas; evite o pico do verão italiano, quando o litoral fica lotado.
- 02Decida o ritmo: 1.700 km em 3 semanas dá uma média de cerca de 80 km por dia — confortável para quem já pedala; quem preferir pode esticar para 4 semanas.
- 03Leve alforjes impermeáveis e kit de reparos básico: a brisa do mar e a umidade são constantes, e trechos isolados no Delta do Pó e no Gargano pedem autonomia.
- 04Use os percursos GPX oficiais: o site cicloviaadriatica.eu disponibiliza os arquivos de cada itinerário (CA 10 a CA 80) para o seu GPS ou celular.
- 05Considere o Passaporte Adriático para carimbos por etapa e acesso a hospedagens convenzionados ao longo da rota.
- 06Planeje as travessias de ferry: a bifurcação de Jesolo (ilhas) e a chegada a Ravenna dependem de barcos sazonais — confira os horários antes.
13Para saber mais
Este resumo cobre os 10 itinerários e a quilometragem geral da Ciclovia Adriatica, mas a rota tem muito mais: desvios seguros, oficinas de bicicletas ao longo do caminho, onde comer e o que visitar em cada etapa. Para mapas detalhados das etapas diárias, percursos GPX para download, eventos durante o ano e o guia completo em PDF, consulte o site oficial da Ciclovia Adriatica.
- 01Site oficial (em português): https://www.cicloviaadriatica.eu/pt/home
- 02Itinerários detalhados: CA 10, CA 20, CA 21, CA 30, CA 40, CA 50, CA 60, CA 61, CA 70 e CA 80.
- 03Guia completo em PDF e Passaporte Adriático disponíveis na loja do site.
GALGaleria da viagem





